Metodologia

 

           

A METODOLOGIA NA PRÁTICA

 

           

1                DESPERTE O INTERESSE  -  SENSIBILIZE

 

                        Procure partir do interesse imediato da criança e do jovem ou desperte esse interesse. A criança vive seu mundo próprio mas também é curiosa e esta aberta às novidades do mundo.

                        Jesus, Mestre por excelência, atendia às necessidades imediatas das pessoas que o procuravam (a cura de um mal físico ou espiritual), depois atendia às necessidades reais do espírito através das lições imorredouras do seu evangelho, na linguagem simples do povo.

                        Esse interesse varia de acordo com o grupo. Por isso, procure conhecer suas crianças e jovens e trabalhe dentro da realidade que lhes é própria.

                        Com as crianças pequenas pode ser um acontecimento da semana, um fato ocorrido, um passeio planejado, uma visita, um filme, uma atividade artística, uma atividade lúdica, etc.

                        Com os maiores pode-se aproveitar assuntos polêmicos, notícias de jornais, filmes em cartaz no momento, peças de teatro, assuntos atuais, curiosidades do próprio grupo, etc...

 

2      QUESTIONE  E  LANCE DESAFIOS

 

                        Despertado o interesse, lance questionamentos e desafios ao seu intelecto ou dilemas morais a serem resolvidos.

                        Segundo Piaget a construção do conhecimento se inicia de uma necessidade ou desafio que, ao causar um desequilíbrio, provoca uma ação construtiva para resolver o impasse (problema, desafio) e encontrar o equilíbrio.   

                                                                             

            Podem ser perguntas sobre o assunto de forma tal que leve a criança ou o jovem a buscar a solução ao problema apresentado. Podem ser questões levantadas pelo próprio grupo.

            Pode ser apresentado em forma de histórias ou cenas da realidade de vida das próprias crianças ou jovens, que tenham ligação com o conteúdo em estudo e que apresente um dilema moral a ser resolvido.               Estaremos colocando problemas do cotidiano, da realidade de vida,  para depois demonstrar (levar a criança a concluir) que a Doutrina Espírita tem as respostas, pode e deve fazer parte de nossa vida, no dia a dia.

 

                   O DEBATE E O DIÁLOGO:

            Permita as colocações das crianças e jovens, o debate e o diálogo onde todos podem expressar suas opiniões e iniciar a construção coletiva e, ao mesmo tempo, individual, não só do conhecimento em estudo, mas a construção do ser, em seu aspecto intelectual, afetivo e volitivo.

 

 

      3    CONSTRUINDO O PRÓPRIO SER

 

 

                        Assim, despertado o interesse, lançado o desafio ou o problema e abrindo-se ao diálogo, levamos a criança ou o jovem a buscar a solução na Doutrina Espírita, tendo em mente que ela somente poderá avançar à partir das estruturas  que já possui dentro de si mesma.

                        Avançar demais não adianta, assim como desafios além das possibilidades da criança tem efeito negativo - tudo deve ser gradual e progressivo.

 

                               BUSCANDO SOLUÇÕES

                            ATIVIDADES ASSIMILÁVEIS

 

            Inicie a construção do conhecimento com base na Doutrina Espírita, partindo da realidade da criança.  Procure não oferecer tudo pronto, mas que esse momento seja de descoberta, onde inteligência, sentimento e vontade interagem de maneira dinâmica, para a construção do ser em seu aspecto integral.

            Os evangelizadores devem estudar o conteúdo e transformá-lo em atividades assimiláveis pelas crianças, jamais oferecendo o conteúdo pronto.

            O conteúdo da Doutrina Espírita deve ser analisado em seus três aspectos inseparáveis: científico, filosófico e religioso.

            Mas embora a importância do conhecimento, como parte necessária e indispensável, não podemos perder de vista que nosso objetivo não é apenas a construção do conhecimento, mas o desenvolvimento integral das capacidades interiores do ser. O conhecimento é um meio para o crescimento integral do ser.

 

                               VIVÊNCIAS:

 

            As atividades deverão ser vivenciadas e não apresentadas como “aulas teóricas”. A criança não aprende ouvindo aulas teóricas, mas vivenciando atividades dinâmicas.

            Vivenciar, espiritualmente falando, não significa apenas participar, mas viver intensamente, com a força de sua energia espiritual e criadora capaz de se manifestar no momento.

            Vivenciar é viver de forma vibrante, é sentir e querer com alegria e entusiasmo.

            Atividades dinâmicas que levem a criança e o jovem a uma participação ativa,  aulas “passeios”, visitas, trabalhos em grupos, pesquisas, entrevistas, jornais, murais, participação das atividades assistências no exercício da caridade, atividades lúdicas, etc.

            A construção do ser depende da vivência integral: ela vivencia pelos sentidos, pelo intelecto e pelo sentimento.                                                  

                                                                                                         

                               ATIVIDADES ARTÍSTICAS:

 

            As atividades artísticas são de grande importância no desenvolvimento das potências do Espírito. Estimula o poder criador do Espírito e traça canais para sua expressão. Mas a arte não é apenas forma de expressão, mas atividade criadora, ampliando a capacidade vibratória do ser, sensibilizando e direcionando a vontade para os canais superiores da vida.

            O teatro, a música, a dança, as artes plásticas em sua diversidade (desenho, pintura, modelagem, recorte e colagem, dobraduras, montagens com sucata, etc.) e a literatura em toda sua amplitude (livros, textos, histórias, poesias, crônicas, etc.), propiciam atividades criadoras onde a cooperação é uma constante.

            A arte abre canais que o intelecto, por si só, desconhece, sendo agente de transformação e construção do ser, tanto no aspecto cognitivo, quanto (e principalmente) no aspecto afetivo e volitivo, direcionando a vontade e a energia criadora do Espírito para os canais superiores da vida.

 

 

            4     O AMBIENTE   EVANGELIZADOR

 

                        Aqui entra em ação a interação dos elementos do grupo entre si, com elementos dos demais grupos e com  toda a Casa Espírita.

                        São momentos de profunda interação entre os indivíduos de mesma idade e de idades diferentes - a vivência do amor.

            Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”, afirmou Jesus.  Esse será o grande desafio a ser vivido por todos.

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            O ambiente evangelizador se inicia no próprio grupo, na vivência moral constante entre os elementos em clima de cooperação e amizade e se estende para toda a casa espírita.

            A figura do educador, parte integrante do grupo, é fundamental. Ele necessita conhecer a doutrina e se esforçar para vivenciá-la.

            O verdadeiro Espírita é aquele que se esforça para vencer suas más inclinações                

 

            INTEGRANDO AS  ATIVIDADES DA CASA ESPÍRITA

 

            Toda a Casa Espírita passa a refletir o conteúdo em estudo.

            As salas poderão ser decoradas dentro do conteúdo principal.

            Grupos de pais (ou de família), grupos de estudos, setores assistenciais, enfim, todos em perfeita sintonia com os princípios Doutrinários em estudo naquele período - e com o sentimento de amor e tolerância a ser exercitado.

            O departamento assistencial propicia a oportunidade da prática  da caridade, como exercício do amor ao próximo, atingindo a sociedade em geral.

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            Apresentações artísticas sobre o conteúdo principal poderão ser realizadas, neste período: Apresentações de corais e grupos musicais, peças de teatro, danças, exposição de pintura, murais, recortes, etc.

            Isso formará um ambiente vibratório propício ao desabrochar das qualidades interiores do ser, onde intelecto, sentimento e vontade se harmonizam.

            Tudo isso tem um profundo poder terapêutico, segundo amigos espirituais - a doença mental surge, quase sempre, da desarmonia entre o saber, o sentir, o querer e o fazer.

 

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            Não citamos aqui um modelo ou roteiro de uma (1) aula, mas um projeto de ação pedagógica que poderá durar várias semanas.

            Aqui entra a capacidade do educador de manter o interesse e o entusiasmo do grupo aceso, durante todo o processo de assimilação.    

            Ninguém assimila conteúdos tão complexos em apenas uma aula teórica, nem se transforma interiormente tão rapidamente, mas num processo educativo bem elaborado e integrado com nossa vida prática.

            Aqui entra também a “luz” interior do evangelizador consciente de sua tarefa e de sua responsabilidade. O Evangelizador é um pólo de energia emuladora, a irradiar de si mesmo e, ao mesmo tempo, atraindo e estimulando o educando.

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            O conteúdo em estudo poderá chegar a uma síntese através de uma exposição de tudo o que as crianças realizaram durante este período, onde poderão participar crianças, jovens e adultos, bem como grupos artísticos com apresentações, dentro do tema central. (Veja item Expoesp)

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            Todo esse conteúdo deve ser retomado em outro ciclo em níveis mais elevados, onde a construção do ser continua em sentido majorante.

            Retomados não apenas nos ciclos mais elevados e na juventude, mas nos grupos de estudos da casa espírita.

            A infância, mocidade e os grupos de estudos da casa trabalham dentro dos mesmos objetivos.  Na verdade, toda a casa espírita trabalha dentro dos mesmos objetivos, como já vimos.

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            Acreditamos que, com tal trabalho, o Espírito reencarnado realmente venha a assimilar o conteúdo, construindo as estruturas mentais correspondentes dentro de sua capacidade de assimilação, tanto no aspecto intelectual, como no aspecto afetivo e volitivo, ocorrendo assim o desenvolvimento integral de todas as potencias da alma.

            Gradualmente, mas num crescendo contínuo, a criança, o jovem e o adulto passam a pensar, sentir e viver dentro dos princípios que a Doutrina Espírita nos apresenta, por serem princípios de caráter universal.                     

            A vivência do amor tende a crescer atingindo a vizinhança, a escola, a comunidade, a sociedade em que vive, o mundo, até que o homem, Espírito imortal, possa sentir-se cidadão do Universo.

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            Tal é a proposta de Jesus: a construção do Reino de Deus na Terra, que se inicia dentro de cada um.

 

 

A ESCOLA DO ESPÍRITO

 

            A casa espírita - escola da alma, oficina do Espírito - oferecerá sempre novas oportunidade de estudo e trabalho em níveis cada vez mais amplos. Os diversos departamentos, trabalhando de forma integrada se transformam em oficinas de desenvolvimento interior, para os próprio trabalhadores.

            Oportunidade do desenvolvimento da razão e do intelecto, ampliando nossa visão da vida e de nós mesmos.

            Oportunidade do desenvolvimento do sentimento na vivência do amor, nas múltiplas possibilidades de relacionamento.

            Oportunidade de crescimento no trabalho e nas realizações de interesse coletivo, distanciando-nos do egoísmo e do orgulho.

           

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            Isso propiciará ao educando (que somos todos nós - crianças, jovens, adultos) oportunidades de crescimento e desenvolvimento das potências da alma em seu amplo aspecto: a construção do conhecimento, a construção das virtudes da alma e a construção de capacidades de realizações, de trabalho, como ser de pensa, sente e age, à caminho da perfeição.

 

 

 

Considerando que nosso objetivo é o desenvolvimento das potências da alma, a construção integral do ser - que pensa sente e age de forma simultânea, temos que levar em conta tanto o aspecto cognitivo como afetivo e volitivo.

            Isso implica na construção do conhecimento (aspecto cognitivo), na construção das virtudes da alma (aspecto afetivo e vibratório) e na construção das capacidades de realizações (aspecto volitivo).

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            A Doutrina Espírita nos oferece as bases para o conhecimento de si mesmo e das leis que regem mundos e seres, condição necessária para o progresso individual.

            O conteúdo baseado em O Livro dos Espíritos pode ser utilizado para todas as idades. Tudo depende de como dosar e como “trabalhar” o conteúdo com as crianças, dentro do interesse e da capacidade de assimilação de cada grupo - ou seja, como abordar o assunto, dentro das características psicologias, interesses e necessidades das crianças, de forma que ela possa assimilar e construir tal conhecimento.

 

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            É importante estudar o conteúdo, selecionar o essencial para ser trabalhado com cada turma e transformar esse conteúdo em atividades assimiláveis, procurando sempre não dar conceitos prontos, mas buscar o caminho do interesse ou despertar o interesse para a descoberta, utilizar atividades sensibilizadoras, métodos ativos, que levem a criança a uma participação ativa, vivências, atividades artísticas e uma integração gradual com as demais turmas e as atividades da Casa Espírita.

            Todo esse conteúdo deve fazer parte integrante de nossas vidas e estar ligado ao nosso dia a dia, à nossa vivência pessoal  - de todos nós, crianças, jovens, evangelizadores, trabalhadores e pais.

            Somente assim estaremos construindo realmente estruturas interiores, profundas, em nosso ser.

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            Ao invés de trabalhar com temas, em forma de aulas isoladas do tipo: Deus, Jesus, Caridade, Bondade, etc... sugerimos trabalhar com conteúdo integrados, seguindo a própria ordem de O Livro dos Espíritos, que já contem os conteúdos “afins” totalmente integrados e que oferece caminho natural para as demais obras de Kardec, podendo avançar com segurança pela imensa literatura espírita.

 

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            A construção do ser, no aspecto integral, não ocorre apenas com uma aula sobre determinado tema. É necessário um período de atividades intensas para ocorrer o processo de assimilação e, como conseqüência, uma transformação interior (acomodação na linguagem de Piaget) e a construção de novas estruturas interiores.

 

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            O conteúdo proposto por Kardec é semelhante a uma rede, onde os assuntos se interligam, integrados num sistema único, global.  Cada assunto tratado é parte e todo ao mesmo tempo, mas nada deve ser considerado independentemente.

            No entanto, o conteúdo não deve ser analisado “fechado”, mas aberto e flexível, sem trair os objetivos propostos.

            Nesse sentido, o conteúdo deve permitir o diálogo, a confrontação de pontos de vistas, o intercambio entre o particular e atual com o geral e atemporal.

            O conteúdo deve ser colocado de tal forma que permita ao educando a sua assimilação dentro de seu ciclo, mas também deve permitir  um aprofundamento constante, para possuir uma qualidade majorante sempre presente, onde os educandos crescem gradualmente.

            No entanto, permite o intercâmbio entre os diferentes níveis, pois o conteúdo é o mesmo, tratado de forma diferente, majorante.

            Para isso o conteúdo necessita ser retomado nos ciclos seguintes e, portanto, serem revistos de forma global e analisados nos novos detalhes e na complexidade de suas relações.

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            A construção do conhecimento ocorre de forma gradual numa seqüência lógica e contínua, num processo constante de análise e síntese, oferecendo sempre uma visão global, cada vez maior, num raio de visão mais amplo, como alguém que esta subindo uma montanha e ampliando seu raio visual.

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Na primeira parte As Causas Primeiras:

            - além do conhecimento adquirido, procure desenvolver o amor e o respeito à Natureza como obra de Deus.

            - procure levar a criança a sentir-se filho de Deus, parte integrante da obra Divina, com direitos e deveres de viver e colaborar na obra da criação.

 

Na segunda parte Mundos dos Espíritos:         

            - além do conhecimento adquirido, procure levar a criança a sentir que é um Espírito imortal que possui um corpo físico e um corpo espiritual. Somos partes do imenso Universo de Deus, tanto no sentido material como espiritual. Filhos que somos, também podemos ser colaboradores do Pai.

            - procure desenvolver a fé e a confiança no futuro, na vida espiritual que jamais cessa.

 

Na terceira parte Leis Morais:

            - além do conhecimento adquirido, auxilie o desenvolvimento das qualidades nobres da alma e a consciência de que é um elemento de mudança para o progresso geral.

Na Lei Divina o sentimento de compreensão e obediência às Leis Divinas e a perceber que a própria consciência nos mostra o que é certo e errado.

Na Lei de Adoração auxilie o desenvolvimento do sentimento de amor à Deus e a prática da oração.

Na Lei do Trabalho, o desenvolvimento da perseverança, da disciplina e ordem nos pequenos trabalhos

Na Lei de Reprodução o respeito pela vida.

Na Lei de Conservação o respeito e os cuidados consigo mesmo, com o corpo e com o Espírito e com o meio em que vive.

Na Lei de Destruição cultive a responsabilidade e a cooperação como antídotos contra a guerra, homicídio e a crueldade.

Na Lei de Sociedade procure desenvolver a fraternidade, tolerância, cooperação, amizade. Somos partes integrantes de uma sociedade, agindo sobre ela.

Na Lei do Progresso auxilie o desenvolvimento dos sentimentos nobres como a sinceridade, a coragem, o esforço e a perseverança.

Na Lei de Igualdade auxilie a criança a sentir a noção de igualdade, embora a diversidade de aptidões, diversidades sociais, de raça, religião, etc.

Na Lei de Liberdade, auxilie o desenvolvimento do respeito à liberdade alheia e a responsabilidade pela sua própria liberdade.

Na Lei de Justiça, Amor e Caridade, auxilie o desenvolvimento do amor ao próximo, da caridade material e moral, do respeito ao próximo e à propriedade alheia.

No item Perfeição Moral auxilie a construção das virtudes da alma, prevenindo os vícios e as paixões desvairadas, combatendo o egoísmo.

 

Na quarta parte Esperanças e Consolações:

            - auxilie o desenvolvimento da alegria na vida presente e a fé na vida futura, bem como a responsabilidade de nossos atos.